Opinião: 'Boneshaker', Cherie Priest



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Boneshaker // Cherie Priest
• Publicado a 29 de Setembro de 2009, pela Tor Books

In the early days of the Civil War, rumors of gold in the frozen Klondike brought hordes of newcomers to the Pacific Northwest. Anxious to compete, Russian prospectors commissioned inventor Leviticus Blue to create a great machine that could mine through Alaska’s ice. Thus was Dr. Blue’s Incredible Bone-Shaking Drill Engine born.

But on its first test run the Boneshaker went terribly awry, destroying several blocks of downtown Seattle and unearthing a subterranean vein of blight gas that turned anyone who breathed it into the living dead.

Now it is sixteen years later, and a wall has been built to enclose the devastated and toxic city. Just beyond it lives Blue’s widow, Briar Wilkes. Life is hard with a ruined reputation and a teenaged boy to support, but she and Ezekiel are managing. Until Ezekiel undertakes a secret crusade to rewrite history.

His quest will take him under the wall and into a city teeming with ravenous undead, air pirates, criminal overlords, and heavily armed refugees. And only Briar can bring him out alive.

Por que é que li este livro? O meu círculo social mandou-me. Isto prova, essencialmente, que não posso confiar neles para nada.


Não, pronto, estou a abusar. Mas é verdade que a) peguei neste livro depois de ter lido as opiniões brilhantes de muitos dos meus camaradas mais próximos, e b) como sempre, o meu coração hipster não conseguiu alinhar com eles.

Falemos, então. Boneshaker é o primeiro volume do magnum opus steampunk de Cherie Priest, e começa logo com um ponto a favor - não se passa numa Inglaterra Vitoriana alternativa. Nope, a autora leva-nos até à sua versão de Seattle, no rescaldo de um desastre muito pouco natural que obrigou a população a selar a cidade para se escapar ao gás tóxico que transforma as pessoas em zombies. O livro inclui todos os tropes que estamos habituados a encontrar em steampunk, desde airship pirates a engenhocas com nomes espampanantes como Dr. Minnericht's Doozy Dazer, e no geral, não posso negar que a autora tenha colocado todos os ingredientes certos na picadora.

O problema, do meu ponto de vista, foi mesmo o resto do processo. Não basta juntar farinha e ovos (e coisas afins) para fazer um bolo, tal como não basta juntar um worldbuilding francamente awesome e uma série de clichés do género para escrever um livro capaz de me arrebatar.

Senti que me desentendi com Boneshaker em dois pontos principais: caracterização e enredo. Descrevi o livro a uns amigos como "duas batatas a correrem por túneis", e embora esse não seja o resumo mais refinado, foi o que me serviu na altura. Este livro conta com dois protagonistas, Briar e o seu filho Zeke, que vivem nos arredores da cidade murada. Um belo dia, Zeke lembra-se que quer ir descobrir a verdade sobre o seu pai, o cientista maléfico que pode ou não ter destruído as fundações da cidade com a sua broca gigante (o titular Boneshaker), e entra por ali adentro por um túnel que passa por baixo das muralhas. Briar, sentindo-se muito culpada por nunca ter contado a verdade ao seu filho, tenta segui-lo, mas o túnel desaba devido a um conveniente terramoto - FEAR NOT THOUGH, pois a nossa heroína não desanima. Como qualquer pessoa que tenha lido/visto Attack On Titan sabe, a melhor maneira de invadir uma cidade murada é por cima, pelo que lá vai ela pedir ajuda a uns airship pirates. Poucas horas depois está dentro da cidade, e aí começa o enredo que me deixou de joelhos a rezar pelo fim. Zeke encontra pessoas que o guiam através de túneis. Quando está à superfície, foge de zombies. Briar faz o mesmo. Depois de 300 páginas de correria, encontram-se lá para o final do livro, derrotam o vilão que é basicamente uma versão barata do construtor do Boneshaker, e fazem as pazes. All is well, mas eu sinto que fiz mais character development sem sair do meu sofá do que este pessoal numa Seattle caótica, murada, zombificada, enevoada por gases tóxicos, e praticamente desabitada - se excluirmos a mão-cheia de pessoas que nunca chegaram a sair durante as evacuações.

Voltamos aos ingredientes, pessoal. Este livro tinha tudo para me entusiasmar - zombies! piratas! sociedades alternativas organizadas por sobreviventes em tempos de crise! máquinas destruidoras de cidades! -, mas o resultado final não me agradou. Leva duas estrelas porque ia levar três, mas eu prometi que tirava uma se o Boneshaker não aparecesse de forma relevante (e funcional) na história. Não apareceu. Fiquei destroçada.


Portanto... fiquem bem, leiam Boneshaker independemente da minha opinião (é estatisticamente provável que o apreciem mais do que eu), e na volta recomendem-me o melhor livro steampunk que alguma vez leram. A casa agradece!

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