Opinião: 'The Museum Of Extraordinary Things', Alice Hoffman



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The Museum Of Extraordinary Things // Alice Hoffman
• Publicado a 18 de Fevereiro de 2014, pela Scribner

Coralie Sardie is the daughter of the sinister impresario behind The Museum of Extraordinary Things, a Coney Island boardwalk freak show that thrills the masses. An exceptional swimmer, Coralie appears as the Mermaid in her father's "museum" alongside performers like the Wolfman, the Butterfly Girl, and a one-hundred-year-old turtle. One night Coralie stumbles upon a striking young man taking pictures of moonlit trees in the woods off the Hudson River.

The dashing photographer is Eddie Cohen, a Russian immigrant who has run away from his father's Lower East Side Orthodox community and his job as a tailor's apprentice. When Eddie photographs the devastation on the streets of New York following the infamous Triangle Shirtwaist Factory fire, he becomes embroiled in the suspicious mystery behind a young woman's disappearance and ignites the heart of Coralie.

Por que é que li este livro? É difícil explicar tendo em conta o resumo, mas o meu processo mental foi mais ou menos este: "hmm, lembro-me daquele filme, Practical Magic, pergunto-me se terá sido baseado num livro... oh, aqui está, baseado num livro de Alice Hoffman, hmm, pergunto-me se ela terá escrito mais alguma coisa assim interessante... oh, aqui está este livro sobre freakshows, podemos começar já por aqui".

The Museum of Extraordinary Things é um livro, digamos, ambicioso. Para começar, o seu setting é extremamente rico, com Nova Iorque em inícios do século XX a trazer-nos toda uma série de questões sociais - imigração, activismo pelos direitos dos trabalhadores, e claro, a primeira vaga do movimento feminista. Acrescentemos a isto o destino de férias predilecto para os veraneantes de Manhattan, Coney Island e a sazonalidade que a caracteriza (e o que isso implica para as pessoas já marginalizadas que trabalham nos seus freakshows), e temos tudo para me manter interessada. Alice Hoffman faz um trabalho maravilhoso no que toca ao aproveitamento do seu setting, decorado com uma prosa elegante e delicada, e num toque particularmente inteligente, toda a sua narrativa é estruturada por dois elementos: o fogo e a água.


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A vida de Eddie é orientada pelo fogo - o incêndio que destrói a sua aldeia, o incêndio na Triangle Shirtwaist Factory (acima, um evento real, e ainda considerado o desastre industrial mais mortífero da história de Nova Iorque), o incêndio que ele próprio inicia no meio da floresta, e finalmente o incêndio no parque de diversões Dreamland (abaixo, um evento igualmente real, e igualmente destrutivo, que culminou na destruição total e definitiva do parque).


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Por outro lado, a vida de Coralie é dominada pela água - a sua malformação de nascença, membranas que unem os seus dedos como que para facilitar o seu movimento debaixo de água, as longas horas passadas no Hudson, o papel de sereia que representa no freakshow do pai, o aquário que acaba por lhe salvar a vida.

Alice Hoffman é uma força da natureza no que toca a entrelaçar simbologia neste livro - aliás, toda a história de Coralie é uma ode ao simbolismo dos monstros no feminino, algo que não vejo muitas vezes (e gostava de ver).

Infelizmente, nem só de simbologia vive um livro, e este não se aguenta de pé sem ela. A estrutura é ligeiramente complicada, alternando quatro pontos de vista diferentes - Coralie em primeira pessoa, Coralie em terceira pessoa, Eddie em primeira pessoa, e Eddie em terceira pessoa. Enquanto lia, só me conseguia perguntar... mas que falha estrutural é que te levou a escrever isto assim, Hoffman? Não faz grande sentido, e é pouco natural.

O outro grande problema deste livro é o romance. Deuses, o romance. Nunca pensei que fosse possível, em 2014, alguém escrever amor à primeira vista não ironicamente, mas Alice Hoffman fê-lo - e cito, "he fell in love with her in that instant". Só não desisti do livro logo aí porque a) tenho uma política de terminar todos os livros que começo, e b) estava MESMO investida no setting. Não compreendo como é que este romance, em toda a sua glória forçada e desenxabida, se tornou a pedra basilar do livro, numa obra que tinha tantos outros pontos a seu favor. Sim, tudo bem, eu sei que esta opinião está directamente relacionada com o meu ódio de estimação por amores à primeira vista, mas pensemos assim: se o leitor consegue perceber que o romance é forçado e artificial, para que é que o romance efectivamente serve?

Neste caso, serviu para me alienar da história, e para lhe baixar a pontuação final. Três estrelas, mas faço total intenção de ler mais livros da autora.

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