Opinião: 'Lulu Dark Can See Through Walls', Bennett Madison



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Lulu Dark Can See Through Walls // Bennett Madison
• Publicado a 18 de Maio de 2006, pela Razorbill

Lulu Dark is the anti-Nancy - a chic, tough-talking city girl who never meant to get involved in a mystery.

But when her favorite purse is stolen during a Many Handsomes concert, Lulu knows she has to get it back. After all, it was one of a kind—and the lead singer's phone number was stashed inside! Lulu dives deep into the fray along with her friends Daisy and Charlie, and discovers a twisted mystery involving a rock star, a rich socialite, a loony landlord, and a serious case of mistaken identity.

Por que é que li este livro? Basicamente, porque a minha querida Lady Entropy mo recomendou, argumentando inclusive que a única coisa que me distinguia da protagonista era o comprimento do cabelo. A pura das verdades é que nem gosto particularmente de girl detectives... mas quando uma amiga recomenda, a gente tenta.

Ora vamos lá então. Lulu Dark Can See Through Walls segue as aventuras de Lulu Dark, uma rapariga perfeitamente normal que vê a sua vida virada do avesso quando a sua mala é roubada num concerto da sua nova banda favorita, levando no seu interior o número de telefone do vocalista. Decidida a recuperar o que lhe pertence e a iniciar a sua nova vida como namorada de uma estrela rock (digo eu...), Lulu deita mãos à obra em busca do responsável pelo crime - e acaba por revelar um drama muito maior do que aquele que a envolve. O enredo é complexo, em teoria, mas não propriamente impressionante ou imprevisível. Admito que não estava à espera que a grande revelação fosse tão... deprimente, digamos assim, mas serviu para me pôr a pensar.

Este livro é, acima de tudo, divertido. É leve, é descontraído, não se leva muito a sério, e às vezes é só isso que exijo da minha literatura. A narrativa diverte-se com descrições de roupas e cocktails, mas, paralelamente, há toda uma série de questões mais profundas que o livro não se abstém de focar. A configuração familiar de Lulu, especialmente, pareceu-me um ponto a favor - uma mãe que fugiu para ser actriz + um pai que passou dessa relação para um namorado hipster? Estou a ouvir.

O detalhe que mais me impressionou neste livro foi, no entanto, o género do autor. Ali estava eu, toda entretida, a ler um livro escrito da perspectiva de uma adolescente, quando me lembrei de investigar o autor e... pasmei-me, era um homem. Nunca na vida me passara pela cabeça que tal fosse possível, porque nunca na vida vira um homem a escrever de um ponto de vista feminino com esta autenticidade e desenvoltura. Só prova que é possível, por isso, queridos autores... sigam o exemplo de Bennett Madison, e aprendam a escrever mulheres. O mundo agradece.

Entretanto, eu fico-me por aqui. Três estrelas, e só não dou quatro por achar que falta aqui algum... je ne sais quoi mais memorável. Gostei do livro, ainda assim, e tenciono ler a sequela.

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