Opinião: 'Clean: An Unsanitised History Of Washing', Katherine Ashenburg



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'Clean: An Unsanitised History Of Washing
Katherine Ashenburg

For the first-century Roman, being clean meant a public two-hour soak in baths of various temperatures, a scraping of the body with a miniature rake, and a final application of oil. For the seventeenth-century aristocratic Frenchman, it meant changing his shirt once a day, using perfume to obliterate both his own aroma and everyone else’s, but never immersing himself in – horrors! – water. By the early 1900s, an extraordinary idea took hold in North America – that frequent bathing, perhaps even a daily bath, was advisable. Not since the Roman Empire had people been so clean, and standards became even more extreme as the millennium approached. Now we live in a deodorized world where germophobes shake hands with their elbows and where sales of hand sanitizers, wipes and sprays are skyrocketing.

Juro que não hei-de morrer sem dedicar um ano inteiro da minha vida a ler não-ficção. Não há nada melhor do que mergulhar num tema novo e emergir, duas horas depois, com todo um catálogo de factos interessantes para partilhar com estranhos nas festas mais aborrecidas. Não que eu vá a festas, mas o sentimento mantém-se.

Clean é, tal como o nome indica, um livro sobre higiene - a história da mesma, para ser mais específica. Katherine Ashenburg divide o tema em nove capítulos, da Antiguidade Clássica aos dias de hoje, passando pelas frequentes mudas de camisa dos séculos XVI a XVIII e a obsessão com sabonete da primeira metade do século XX. É um livro divertido, embora não o deva totalmente ao estilo, pois o tema empresta-se bem a uma certa dose de sentido de humor.

Adorei a análise que a autora faz do tema, e a forma como consegue interligar o ideal higiénico de uma sociedade com as suas aspirações e valores morais. Quem pensaria que os mártires Cristãos não tomavam banho por considerar o acto hedonista? (bem, eu pensaria, seria de esperar de pessoal que se alimenta de vinagre e crostas... mas continua a ser um dado interessante)

A única falha que posso apontar ao livro é o facto de me parecer uma análise superficial - não sou nenhuma expert no tema, mas tenho a sensação de que este volume funciona melhor como uma introdução do que propriamente uma "bíblia". Por outro lado, tal acaba por ser uma vantagem para leitores casuais. Não é preciso qualquer conhecimento prévio sobre o assunto para poder apreciar esta viagem pelo mundo da limpeza - e da sujidade. Quatro estrelas, recomendado!

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