[PT] Nanozine 9



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O mais recente número da Nanozine, fanzine portuguesa composta por contos, entrevistas, etc etc etc, saiu em Julho, com equipa renovada e nova periodicidade, a partir de agora semestral.

E é ligeiramente vergonhoso notar que vou começar a rever a Nanozine pelo nono número, mas hey, tenho de começar por algum lado. Vamos aos contos, então, que é para isso que leio fanzines:

A Máquina do Tempo, Joel Puga
Com cerca de 500 palavras, um conto deste tamanho tem quase obrigatoriamente de confiar em exposição seguida de plot twist. Efectivamente, segue a regra, e fá-lo bem, embora não me pareça particularmente inovador ou memorável.

O Colapso, Michael Silva
Logo ao ler a primeira página, a palavra que me veio à mente foi “demasiado”. Há claramente alguma coisa (ou muita coisa, ou a maior parte da coisa) a escapar-me, e embora essa sensação não me costume incomodar quando há algo que a compense – um plot bem contruído ou personagens interessantes, por exemplo –, isso não acontece aqui. São só duas páginas, é verdade, pelo que dificilmente poderia pedir tudo isso, mas de qualquer forma, senti-me completamente perdida. Há worldbuilding, nota-se, e felicito o autor por isso, mas não me conseguiu cativar. Talvez num formato mais longo?

Roland’s, Carlos Silva
O primeiro parágrafo é bastante enigmático, e um começo forte para o conto. Não posso dizer que não tenha revirado os olhos quando a história em si se começou a... bem, revelar, mas acabei por desculpar ao chegar ao final – que é previsível, certo, mas ainda assim bem conseguido. Dos três contos, é sem dúvida o melhor.

Acta da reunião do júri do concurso literário "Palavras Nunca Lidas", João Ventura
Ah, se todas as actas fossem assim, o mundo seria um lugar melhor. O mesmo não pode ser dito do concurso literário em questão, que não me parece contribuir em nada para o bem da humanidade. Deixo ao critério do autor decidir se todos os concursos seguem este mesmo teor de utilidade social... já que estes não são temas que uma pessoa respeitável como eu deva discutir em público. Basicamente, adorei o texto, e conseguiu fazer-me sorrir. Em bom inglês, you is good job.

Micro-Contos, Humberto Ferreira
Eu huh... não aprecio micro-contos, em geral. Acho que é preciso ser muito, muito bom (talvez melhor do que o Hemingway) para conseguir escrevê-los, e feliz ou infelizmente, nem todos o somos. Dito isto, parece-me que os micro-contos em questão se lêem um pouco como anedotas, ou talvez até provérbios, com algum tipo de moral superior mas sem qualquer conteúdo que me leve efectivamente a procurar a história nas entrelinhas.

Relativamente ao resto da revista, peço desde já desculpa aos autores de poesia, mas recuso-me a opinar sobre os seus textos por via da minha já conhecida incapacidade de ler em verso. Não sei ler poesia, não sei retirar sentido de poesia, não sei apreciar poesia - e logo aí, já estaria a ser injusta com os autores. Quanto às entrevistas, ambas me pareceram competentes e bem conseguidas, embora as tenha lido um pouco na diagonal por não conhecer o trabalho dos autores. O artigo de João Campos, Onde está a Ficção Científica em Portugal, encontrou em mim a pior leitora possível, uma vez que não sou, de todo, pessoa de ficção científica - ainda assim, fiquei curiosa com alguns dos títulos mencionados. Acho relevante apontar, no entanto, que o título do artigo é enganador, levando-me a pensar que ia ler sobre autores portugueses de sci-fi (ou as razões pelas quais eles não existem), expectativa que acabou por sair gorada. A revista fecha com um artigo de recomendações, 8 Livros para Ler na Praia, que me pareceu, com toda a sinceridade, exibir uma selecção completamente random. Preferiria ter visto o mesmo conceito aplicado a "tipos" de leitores, por exemplo... sugestões para os amantes de fantasia urbana, sugestões para os fãs de não-ficção, sugestões para os que devoram romances paranormais, etc. Ou, se o objectivo era manter a variedade, talvez cada membro da equipa pudesse ter contribuído com uma sugestão?

Finalmente, ao nível gráfico, esta revista mostra-se bastante mais simples do que algumas das anteriores, inclusive ao nível da capa. Visualmente, não é o melhor número que a Nanozine alguma vez publicou, mas vamos dar tempo à nova equipa. No geral, dou à revista três estrelas... e desejos de boa sorte para os números futuros. :)

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